Com os pés plantados nas nuvens

Eliane Chaud

Pensar a cor âmbar foi o ponto de partida para desenvolver os trabalhos apresentados nesta mostra expositiva, percebendo a luminosidade que temos aqui na Região Centro-Oeste e que interfere intensamente sobre nós e a paisagem ao nosso redor.  

Iniciei construindo possíveis tonalidades da cor luz que me envolve, um processo que passou por uma materialização ao elaborar sobreposições de linhas de bordar dentro de placas-de-petre,  as quais utilizei como um recipiente para guardar as cores de meu cotidiano, um conjunto de 10 placas  e que  denominei de Guardados de cor”
Durante o processo fui fotografando e trabalhando algumas imagens, o que gerou  o estudo de “Construção de tons”, onde se vê camadas de cor se formando e a infinita de possibilidade de uma “paleta” de linhas-cor. 
Enquanto trabalhava a cor, outros pensamentos também me ocorreram quando fiz a “poesia Âmbar”, comecei a refletir sobre outros aspectos do âmbar, em diferentes dimensões, sensações e percepções.

Buscando uma maior compreensão do contexto da região central do Brasil, fiz a leitura de 2 obras de  Bernardo Élis. Durante a leitura, adentrando em questões relativas ao contexto regional, notei em sua escrita abordagens que me são particulares, pois cresci em uma cidade interiorana brasileira, na divisa dos Estados de São Paulo e Minas Gerais. Partindo de observações do “ser caipira”, daquilo que é conhecido e do que é desconhecido para mim, foi desenvolvido o Vídeo-Livro Âmbar, em busca de um imaginário poético. Trabalho que contou com a participação dos colegas da FAV, Bráulio Vinicius Ferreira, na trilha sonora, e Flávio Gomes na edição.
De certo modo, aspectos que envolvem o meu pensamento sobre o ser e estar âmbar, se apresentam na produção artística quando as especificidades do lugar, de estar e viver se apresentam para além da paisagem.

Referências
Ermos gerais (contos goianos) / Bernardo Élis. Edição preparada por Luiz Gonzaga Marchezan. São Paulo: Martins Fontes , 2005.
Melhores contos Bernardo Élis. Seleção Gilberto Mendonça Teles. Edla van Steen (direção). São Paulo: Global Editora, 2003. 3ª edição.

Guardados de cor

Construção de tons

Âmbar

(25/04/2021)

Âmbar
No sertão, em Goiás
É ver, respirar, ouvir e sentir
É estar, é viver.

Ver paisagem, plantas, cor
Luz que me envolve e me toma, cor.
Laranja avermelhado, vermelho alaranjado, laranja rosáceo, rosa alaranjado, amarelo, amarelo acastanhado, castanho amarelado, amarelo pequi, amarelo pamonha. 

Cheiros.

Terra molhada, terra seca, cigarra, siriema, bem-te-vi, pardais.

Calor que não escorre, seco.
Resistência, resistente.

Ouvir prosas, proximidades, aconchegos.

Amarelo alaranjado, laranja amarelado, amarelo acobreado, castanho.

Campos e Veredas.

Espaços.
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Âmbar
é estar, é viver, sertão.

Eliane Chaud - Miguelópolis – SP – 1968.

Artista plástica, participa de projetos e exposições regionais e nacionais. Vive e trabalha em Goiânia. Professora de Artes Visuais da Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás (desde 1996). Doutora em Cultura e Sociedade pela Universidade Federal da Bahia (2012). Mestre em Arte e Tecnologia pela Universidade de Brasília (2000). Graduada em Educação Artística – habilitação Artes Plásticas e Decoração pela Universidade Federal de Uberlândia (1992). Temas de interesse: bordado-costura-arte, poéticas compartilhadas. Membro Grupo de Pesquisa Práticas Artísticas – Âmbar - CNPQ